A Justiça da Paraíba realiza nesta terça-feira (28) uma nova audiência de instrução da ação penal que apura o duplo homicídio registrado em dezembro de 2025, na cidade de Sumé, no Cariri paraibano. A sessão foi determinada pelo juiz Ítalo Lopes Gondim após a identificação de contradições nos depoimentos de testemunhas ouvidas na primeira audiência, realizada no último dia 21 de julho.
Na ocasião, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além dos interrogatórios dos três réus denunciados pelo Ministério Público. Diante das divergências entre os relatos de duas testemunhas, o magistrado determinou a realização de uma acareação, procedimento previsto no Código de Processo Penal para confrontar versões conflitantes e esclarecer os fatos.
Além da acareação, também foram determinadas diligências complementares para reforçar a produção de provas durante a fase de instrução criminal.
O crime aconteceu na noite de 4 de dezembro de 2025, no estabelecimento Espetinho de Vó Cícera, localizado no bairro Várzea Redonda, em Sumé. As vítimas, Almir Ricardo de Sousa e Alexandre Sousa de Melo, foram mortas a tiros após serem surpreendidas por dois homens em uma motocicleta, que fugiram logo após os disparos.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime teria sido motivado por uma rixa de natureza passional. José Leonardo Batista Gonçalves Filho, conhecido como "Grosso", é apontado como mandante da execução. A acusação sustenta que ele teria planejado o crime após um desentendimento relacionado ao seu relacionamento com a ex-companheira de Almir Ricardo.
Ainda conforme a denúncia, Arlindo Gonçalves Filho, conhecido como "Poeta", e Arlindo Belinho Gonçalves Neto, o "Netinho", teriam prestado apoio logístico aos executores, disponibilizando veículos, monitorando a movimentação das vítimas e auxiliando na fuga. Os autores dos disparos, no entanto, ainda não foram identificados.
As investigações apontam que a motocicleta utilizada na execução teve as carenagens removidas para dificultar a identificação, enquanto um Fiat Uno teria sido usado para dar suporte à fuga. Após o crime, dois dos denunciados deixaram a Paraíba e foram presos meses depois no estado de Pernambuco.
Os três acusados respondem por duplo homicídio qualificado, por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e concurso de pessoas. Após a conclusão da fase de instrução, a Justiça decidirá se eles serão pronunciados e levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Por Pabhlo Rhuan