Patos e Região INVESTIGAÇÃO
PF identifica uso de 549 CPFs de pessoas mortas em operações ligadas à Pixbet
Segundo a investigação, documentos financeiros usados em movimentações relacionadas ao grupo continham dados de pessoas que já haviam morrido, incluindo registros de falecidos há mais de 20 anos
14/08/2026 11h00
Por: Redação
Fachada da sede da PixBet em Campina Grande, Agreste da Paraíba — Foto: Geraldo Jerônimo/TV Paraíba

A Polícia Federal identificou o uso de 549 CPFs pertencentes a pessoas mortas em documentos relacionados a operações financeiras ligadas ao grupo empresarial investigado na Operação Arena, deflagrada na quinta-feira (13) na Paraíba, São Paulo e outros três estados.

A investigação apura um suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A sede da Pixbet, em Campina Grande, foi um dos alvos da operação.

Segundo informações apresentadas pela Polícia Federal à Justiça Federal, documentos relacionados à movimentação financeira que teria como finalidade a lavagem de dinheiro no exterior continham registros vinculados a pessoas falecidas. Alguns dos titulares dos CPFs utilizados teriam morrido há mais de duas décadas.

CPFs foram mantidos nas operações

De acordo com a investigação, os nomes associados aos números de CPF chegaram a ser alterados depois que o sistema responsável por autorizar operações de compra de moeda estrangeira identificou irregularidades e emitiu um alerta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Mesmo após a identificação das inconsistências e a comunicação à Anspace, instituição de pagamento apontada como uma das mais utilizadas pelo grupo investigado, os CPFs teriam continuado sendo utilizados nas transações.

Para a Polícia Federal, o uso dos dados de pessoas já falecidas teria servido para atribuir falsamente a terceiros a realização de operações de câmbio, contribuindo para a suposta evasão de divisas.

A investigação ainda busca esclarecer como os dados dessas pessoas foram obtidos e utilizados. A PF aponta, contudo, indícios de que a empresa investigada não teria sido apenas vítima de possíveis fraudes, mas poderia ter atuado de forma consciente na utilização da documentação irregular.

Operação Arena

A Operação Arena foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo bancário e telemático e de sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.

As ações ocorreram na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

Segundo a investigação, o suposto esquema utilizava empresas no exterior para movimentar recursos provenientes das apostas. Parte dos valores teria sido enviada para Curaçao, onde estaria registrada uma empresa apontada como de fachada.

Posteriormente, os recursos retornariam ao Brasil apresentados como pagamentos por serviços prestados por empresas estrangeiras, dando aparência de legalidade ao dinheiro.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.

Pixbet foi suspensa

Após a operação, o Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata das atividades da Pixbet, além do cancelamento das apostas em andamento e da devolução dos valores apostados aos usuários.

A defesa da empresa informou que não havia tido acesso à decisão judicial que autorizou a operação e afirmou ter sido pega de surpresa. Segundo os advogados, uma manifestação seria apresentada após o conhecimento do conteúdo da decisão.

As investigações continuam para esclarecer a origem dos recursos, a utilização dos CPFs de pessoas falecidas e a eventual responsabilidade dos envolvidos.

Por Pabhlo Notícias com g1 PB