Polícia OPERAÇÃO
Apontado como braço direito de chefe de organização criminosa, suspeito é preso em Itapororoca
Francisco Yago estava foragido no Ceará e foi capturado após retornar à Paraíba; grupo é investigado por movimentar R$ 144 milhões através de vaquejadas, lavagem de dinheiro e tráfico.
17/09/2026 14h00
Por: Victor Almeida Fonte: Pabhlo Notícias
Francisco Yago, de 33 anos — Foto: Reprodução / Polícia Civil

Um homem identificado como Francisco Yago, de 33 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira (17), no município de Itapororoca, na Paraíba. A captura ocorreu apenas dois dias após ele ser um dos alvos da Operação Bon Vivant, deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas, comercialização ilegal de armas e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil da Paraíba, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 144 milhões em um período de dois anos, com forte atuação em Campina Grande, no Agreste paraibano, e também no estado do Rio Grande do Norte. A estrutura da organização utilizava o mercado de animais, leilões, haras e vaquejadas para tentar inserir no mercado formal os valores obtidos por meio de atividades ilícitas.

Dinâmica da fuga e captura

De acordo com o delegado Lucas Rothardan, Francisco Yago, natural do Ceará, é apontado pelas investigações como o braço direito do líder da organização criminosa. O suspeito estava foragido desde o último domingo (13), data em que deixou a Paraíba com destino a Fortaleza, no Ceará.

A prisão foi efetuada após um trabalho de inteligência que rastreou o veículo enviado de Campina Grande para buscá-lo em território cearense. A polícia descobriu que o investigado trocou de carro durante a fuga e retornou à Paraíba com o objetivo de buscar uma pessoa não identificada, planejando seguir viagem por via aérea antes de ser interceptado em Itapororoca.

Durante o cumprimento das diligências na residência do suspeito, os policiais apreenderam cerca de 15 smartphones, além de outros cinco aparelhos encontrados em seu veículo. Conforme a Polícia Civil, os múltiplos celulares e a constante troca de chips eram estratégias utilizadas por Francisco Yago para dificultar seu rastreamento.

O motorista do automóvel que acompanhava o investigado também foi conduzido à delegacia. Como possuía antecedentes por tráfico de drogas em Campina Grande, ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelo crime de favorecimento pessoal.

Esquema de lavagem de dinheiro

As apurações da Polícia Civil revelaram que o esquema financeiro do grupo era ramificado em diferentes setores para blindar o capital ilícito. Além de possuir um haras e cavalos no Rio Grande do Norte, Francisco Yago atuava na intermediação de criptoativos (bitcoin).

A rede de lavagem de dinheiro contava ainda com investimentos no setor de vaquejadas, através da compra de animais e participação em leilões para expandir a rede de contatos, o controle de três academias, a utilização de laranjas, incluindo esposas de investigados, para ocultar bens e negócios, e até mesmo investimentos estratégicos no agenciamento da carreira de um cantor para ampliar as possibilidades de transações financeiras. A polícia ressalta que o artista não integrava o esquema e desconhecia a origem dos recursos investidos.

Na primeira fase da operação, realizada na última terça-feira (15), a polícia já havia cumprido mandados em Campina Grande, nos bairros Aluízio Campos, José Pinheiro e em condomínios fechados, além de sequestrar bens, veículos de luxo e propriedades no Rio Grande do Norte, onde caminhões, carros e um quadriciclo foram apreendidos.

por Pabhlo Notícias