Patos e Região INVESTIGAÇÃO
Caso do recém-nascido morto em Patos: em interrogatório na DHE, casal troca acusações e delegado detalha versões
Crime ocorreu na manhã desta quarta-feira (14); Polícia Militar prendeu em flagrante dois suspeitos no local e perícia constatou ao menos 15 perfurações na vítima.
14/10/2026 18h30 Atualizada há 28 minutos
Por: Victor Almeida Fonte: Pabhlo Notícias
Foto: Pabhlo Rhuan

Novos desdobramentos sobre a morte do recém-nascido Brayan Gabriel Guedes de Lucena, de apenas três semanas de vida, foram detalhados pela Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos. O crime ocorreu na manhã desta quarta-feira (14), em uma residência localizada no bairro Dona Milindra, na Zona Leste do município. Em interrogatório formal prestado à Polícia Civil, os genitores do bebê, identificados como Marcos Gabriel, de 19 anos, e Mirelly Layla Lucena Braz, de 19 anos, trocaram acusações e apresentaram versões conflitantes sobre a autoria dos golpes de arma branca.

Segundo as informações apuradas pelo portal Pabhlo Notícias junto ao delegado titular da DHE de Patos, Hermerson Barbosa, o casal não estava mais convivendo junto. A genitora, que havia se mudado para o município de São Bento, retornou à residência alugada em Patos na tarde de terça-feira (13) para recolher seus pertences. A discussão teve início na manhã desta quarta-feira enquanto a mulher organizava as roupas para deixar o imóvel.

 
 
 
 
 
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Versão de Marcos Gabriel apontada pela DHE

Em depoimento prestado à equipe de investigação da DHE, Marcos Gabriel afirmou que a discussão começou por ciúmes da ex-companheira em relação à criança. De acordo com o relato do suspeito, Mirelly Layla teria ficado incomodada ao vê-lo pegar o filho no colo por diversas vezes e exigiu que ele deixasse o bebê solto. Em um momento de raiva, ela teria se apossado de uma faca e desferido o primeiro golpe contra a criança.

O delegado Hermerson Barbosa detalhou a versão apresentada pelo jovem e destacou a omissão de socorro ao bebê.

"O pai informou que a mãe, com ciúmes por ele estar pegando a criança no colo por diversas vezes, não estaria achando bom. Diante dessa raiva, ela teria pego uma faca e desferido alguns golpes nesta criança. Pelo interrogatório dele, disse que viu a primeira facada e se desesperou, deu meia volta e saiu da residência correndo. Questionado do motivo de não ter tentado impedir ou retornado para verificar se o filho estava vivo, houve realmente uma omissão grande em relação a isso", explicou o delegado.

Versão de Mirelly Layla e coação alegada

Já Mirelly Layla apresentou uma versão totalmente oposta aos policiais. Em seu depoimento, a jovem afirmou que estava arrumando as coisas para ir embora para São Bento quando Marcos Gabriel disse que ela não poderia sair e levar o filho. Em seguida, o homem teria afirmado que não conseguiria viver sem a criança e ofereceu uma faca por diversas vezes para que ela o matasse.

A autoridade policial detalhou a narrativa apresentada pela jovem sobre o momento das agressões.

"Já ela disse que quando estava arrumando as coisas para ir embora, ele disse que ela não poderia levar o filho dele e ofereceu a faca para que ela o matasse. Como ela recusou, ele teria pegado ela pelos braços, forçado com a mão na boca dela e, quando ela estava desfalecendo, colocou a faca na mão dela e fez com que ela cometesse os golpes", ressaltou Hermerson Barbosa.

Aguardando laudos periciais e autuações

O delegado informou que as primeiras etapas do procedimento policial foram concluídas e que o caso depende agora dos laudos periciais para atestar a autoria e a conduta de cada um.

"Já foram feitas todas as oitivas, eles já foram encaminhados à carceragem e vamos precisar só de mais algumas perícias para tentar fechar o caso. Tudo indica que realmente o casal estava envolvido, ou o indivíduo tinha omissão de socorro em relação ao seu filho e ela seria a autora, ou vice-versa", completou a autoridade policial.

A Polícia Civil destacou que Marcos Gabriel e Mirelly Layla Lucena Braz permanecem sob custódia e foram encaminhados para a carceragem, onde aguardam audiência de custódia. A elucidação definitiva quanto à autoria direta do homicídio ou enquadramento por omissão dependerá dos exames periciais e de DNA realizados pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) na arma do crime.

O corpo do pequeno Brayan Gabriel Guedes de Lucena foi encaminhado ao Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos para a realização do exame necroscópico.

Por Pabhlo Rhuan