Política ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos
Senador, a esposa e as duas filhas viajaram ao país em jatinho particular que saiu da Argentina e fez parada no Equador. O voo não cruzou o espaço aéreo brasileiro.
28/10/2026 12h30
Por: Victor Almeida Fonte: g1 PB
Flávio Bolsonaro desembarca nos Estados Unidos — Foto: Eva Marie Uzcategui / Reuters

O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa e as filhas do casal chegaram aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28). O avião utilizado pela família pousou em um aeroporto de Miami nesta manhã.

Em uma operação secreta, Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições de domingo (25), deixou o Brasil após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes à Polícia Federal:

O avião que transportou a família até os Estados Unidos, um jatinho particular Gulfstream G400, aterrissou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, na Flórida. Ainda não havia informações, até a última atualização desta reportagem, sobre o proprietário da aeronave.

Flávio Bolsonaro também ainda não havia se manifestado desde que deixou o Brasil. Após a aterrissagem, Flávio e a família entraram em um carro que os aguardava na saída do aeroporto. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, vive na Flórida, mas o destino da família era desconhecido.

Ao desembarcar do avião, Flávio Bolsonaro e a família foram escoltados por um policial, que cumprimentou o senador. Na terça-feira (27), o Departamento de Estado dos EUA afirmou que permitiria a entrada dos quatro e que irá conceder vistos à família. Washington ainda não especificou que tipo de visto os quatro receberão.

Lula (PT) derrotou Flávio Bolsonaro (PL), aliado de Trump, no segundo turno da eleição presidencial no último domingo (25). O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador, com uma vantagem de 4,4 milhões de votos.

Fuga

A viagem de Flávio Bolsonaro rumo aos EUA foi cercada de mistério e incerteza. Veja, abaixo, a cronologia do dia:

Em meio à fuga, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a insinuar, sem provas, que houve fraude na eleição brasileira , que Flávio perdeu para Lula, e disse também que aprovava a ida do senador aos EUA.

Trump ainda não havia se manifestado sobre a chegada de Flávio aos EUA até a última atualização desta reportagem. O presidente da Argentina, Javier Milei, também ainda não se manifestou — os dois são aliados da família Bolsonaro.

 

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami — Foto: Reprodução

 

Rota de voo de Flávio Bolsonaro e família entre Guayaquil, no Equador, e Miami, nos Estados Unidos, em 28 de outubro de 2026. — Foto: Reprodução/FlightAware

 

Entrega do passaporte

Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil à revelia de ordem do STF que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega de seu passaporte.

Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes. O senador, no entanto, descumpriu a ordem e não entregou o passaporte à PF no prazo determinado, até as 11h desta terça-feira (27).

A decisão foi dada em processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e bets. Os dois confirmam que são amigos, mas negam que sejam sócios e qualquer irregularidade.

Flávio Bolsonaro também é formalmente investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

PF apontou risco de Flávio fugir do Brasil

A Polícia Federal (PF) apontou riscos "concretos e atuais" de fuga em pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apreender o passaporte e proibir a saída do país de Flávio Bolsonaro.

O senador, no entanto, descumpriu a decisão de Moraes, e não entregou o passaporte à PF no prazo determinado, até as 11h desta terça.

Na avaliação da PF, três elementos centrais indicavam que Flávio poderia deixar o Brasil sob a justificativa de suposta perseguição política:

O pedido da PF lembrou a declaração de Eduardo Bolsonaro em que ele defendeu que o irmão deixasse o país em caso de derrota na disputa ao Palácio do Planalto: "Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo".

 

Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

 

A decisão do ministro foi publicada na noite do domingo (25), no contexto de processo em que Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, em um suposto esquema que envolveria empresas do jurista e bets. O caso segue em sigilo de justiça.

Flávio Bolsonaro tem passaporte italiano, concedido a ele em 2023, durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. Pela determinação de Moraes, ele deveria ter entregado o documento estrangeiro.

O ministro também determinou o cancelamento de todos os passaportes emitidos pelo Brasil em nome de Flávio, incluindo os diplomáticos.

Flávio também é formalmente investigado em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio negou que deixaria o país

Em um vídeo postado em uma rede social, nesta segunda-feira (26), Flávio afirmou que visitou o pai, ex-presidente Jair Bolsonaro, e que havia sido intimado pela PF a entregar o documento:

"Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país", relatou o senador, no vídeo.

"A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?", prosseguiu.

O parlamentar afirmou que pretende seguir na oposição ao governo Lula

"Não vamos permitir que isso aconteça. Não vão me calar. Não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil. Aconteça o que acontecer, não vamos desistir do nosso Brasil.”

Por Pabhlo Notícias com informações do g1 PB