Educação e Saúde REABILITAÇÃO
Homem mais alto do Brasil volta a andar após ter pernas amputadas e receber próteses sob medida
Ninão supera complicações de infecção óssea e retoma a mobilidade com equipamentos desenvolvidos especialmente para seu peso e altura
02/11/2026 13h00
Por: Victor Almeida Fonte: Fantástico
Foto: Reprodução / TV Globo

Com 2,37 metros de altura, Joelison Fernandes da Silva, de 41 anos, conhecido nacionalmente como Ninão, voltou a andar após receber próteses fabricadas sob medida. O homem mais alto do Brasil perdeu as duas pernas nos últimos anos em decorrência de complicações de saúde e agora avança no processo de reabilitação para recuperar sua autonomia.

A história e os primeiros passos de Ninão foram acompanhados pelo programa Fantástico, da TV Globo. Os equipamentos foram desenvolvidos especialmente para suportar sua altura e estrutura física, marcando uma nova fase em sua rotina.

A altura expressiva de Ninão sempre exigiu adaptações cotidianas na Paraíba. Em sua residência, móveis como a cama precisaram ser modificados, assim como os calçados, que sempre foram feitos sob encomenda.

Diagnóstico de gigantismo e complicações de saúde

De acordo com o relato familiar, Ninão teve um desenvolvimento dentro da normalidade até os 8 anos, quando começou a crescer de forma acelerada. Aos 10 anos, ele atingiu 1,70 m e, aos 14, alcançou 1,96 m, momento em que recebeu o diagnóstico de gigantismo, condição provocada pela produção excessiva do hormônio do crescimento, geralmente associada a um tumor benigno na hipófise.

Aos 21 anos, Ninão já media 2,29 m. Tempos depois, ele passou pelo procedimento cirúrgico para remoção do tumor, mas ainda cresceu outros 8 centímetros, atingindo a marca de 2,37 metros.

O excesso hormonal também provocou resistência à insulina, levando o paraibano a desenvolver diabetes. A complicação causou uma grave infecção óssea (osteomielite) em uma das pernas, resultando na primeira amputação em 2021. Em 2024, a mesma infecção atingiu o outro membro, tornando necessária a segunda amputação.

Fabricação sob medida e testes internacionais

Para obter os novos equipamentos, Ninão promoveu uma mobilização nas redes sociais. Uma clínica especializada localizada em Sorocaba, no interior de São Paulo, atendeu ao pedido e deu início ao processo de produção.

A confecção exigiu moldes de gesso específicos e testes de carga para verificar se a estrutura suportaria o peso de cerca de 185 kg. Os componentes dos pés passaram por testes de resistência na Rússia, realizados por uma empresa parceira, sendo aprovados para suportar uma carga de até 700 quilos.

Representantes da empresa apontaram que o projeto envolveu a produção das maiores próteses de pé já fabricadas no mundo. Cada estrutura pesa aproximadamente seis quilos, com pés de 38 centímetros de comprimento, equivalente à numeração 60.

Primeiros passos e recuperação da mobilidade

Durante a fase de adaptação e treinos de equilíbrio nas barras paralelas com a equipe de fisioterapia, Ninão apresentou estabilidade e comemorou os resultados iniciais.

Com a evolução no tratamento, o paraibano planeja retomar a rotina de atividades físicas e a prática de esportes adaptados, modalidade em que atuou pela Seleção Brasileira entre 2022 e 2024.

Por Pabhlo Notícias com Fantástico - Globo