A perícia não identificou sinais clássicos de intoxicação alimentar na necropsia da mulher que morreu após comer em uma pizzaria na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba. A informação foi confirmada pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), que destacou que exames toxicológicos ainda estão em andamento e serão determinantes para esclarecer a causa da morte e o surto que deixou mais de 100 pessoas com sintomas.
Segundo o diretor do núcleo em Cajazeiras, Luis Rustenis, a análise inicial do corpo não apontou elementos típicos de intoxicação nos órgãos. Durante o procedimento, foram coletadas amostras biológicas para a realização de exames que possam identificar a presença de substâncias exógenas relacionadas ao caso.
“Durante a necropsia, não foi evidenciado sinal clássico de intoxicação. Solicitamos exames toxicológicos, fizemos a coleta do material biológico para se fazer uma pesquisa de substâncias exógenas que possa ter relação com esse caso. Se foi ingerida essa substância, muito provavelmente deve vir no exame toxicológico”, explicou.
De acordo com ele, o Código de Processo Penal estabelece prazo de até 10 dias para a emissão de laudos periciais, podendo haver prorrogação conforme a demanda. Após a conclusão dos exames toxicológicos e da necropsia, o material será encaminhado à autoridade policial responsável pela investigação.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar dois possíveis crimes relacionados ao caso. O primeiro é homicídio culposo, em razão da morte da cliente, que foi submetida a exames toxicológicos. Amostras de alimentos e das pizzas consumidas também foram recolhidas para análise. O segundo crime investigado envolve o consumo de alimento impróprio, previsto na legislação que trata das relações de consumo.
A vítima foi identificada como Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do domingo (15), ela esteve no estabelecimento acompanhada do namorado, onde consumiu pizza de carne de sol. Após retornarem para casa, ambos passaram mal e buscaram atendimento no Hospital Regional de Pombal.
"Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida", disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.
No dia seguinte, a mulher voltou a ser internada com agravamento do quadro clínico, sendo encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave, com sinais compatíveis com infecção severa. A morte foi confirmada na manhã da terça-feira (17). O sepultamento ocorreu na quarta-feira (18), no Cemitério São Francisco, no município.
Em vídeo divulgado por meio de sua defesa, o proprietário da pizzaria, Marcos Antônio, lamentou a morte da cliente e os transtornos enfrentados por outras pessoas que precisaram de atendimento médico. Ele afirmou que nunca teve a intenção de prejudicar clientes e destacou que o comércio representa sua principal fonte de sustento, construída ao longo de anos de trabalho.
"Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também, que eles pediram também, estamos enviando isso, estou entregando porque eu preciso da verdade. (Estou colaborando) com a prefeitura também. Eu preciso da verdade para me sentir bem", ressaltou.
Órgãos de saúde e a Polícia Civil seguem realizando exames periciais no material coletado na pizzaria e no corpo da vítima para esclarecer as circunstâncias do caso e identificar possíveis responsabilidades.
Por Pabhlo Rhuan - com g1 PB