Uma investigação da Polícia Federal sobre fraudes em concursos públicos ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo programa Fantástico. Segundo informações divulgadas, as apurações tiveram início a partir de uma denúncia anônima que levou os investigadores até o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, que estava na cidade de Patos, no Sertão da Paraíba.
De acordo com a PF, Wanderlan e dois parentes foram aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para o cargo de auditor fiscal do trabalho, função com salário superior a R$ 22 mil. Durante a investigação, áudios encontrados no celular de uma sobrinha indicariam possíveis irregularidades, incluindo orientações para subornar vigilantes, desligar câmeras e até utilizar “bonecos” para fazer a prova em lugar de candidatos.
Entre os métodos utilizados pela organização criminosa estavam pontos eletrônicos para transmissão de respostas durante a prova, fotos de cadernos de questões e acesso antecipado a gabaritos e temas de redação. Os valores cobrados variavam conforme o cargo, chegando a até R$ 500 mil em funções de maior remuneração.
Ver esta publicação no InstagramUma publicação partilhada por Pabhlo Rhuan Notícias (@pabhlonoticias)
Horas antes da prova para auditor fiscal, mensagens interceptadas indicam que familiares já possuíam o tema da redação e o gabarito. Waldir Luiz de Araújo Gomes, conhecido como “Mister M”, teria facilitado o acesso antecipado às provas na Cesgranrio, organizadora do CNU, e ensinado como violar os envelopes sem deixar vestígios.
O chefe da organização, identificado como Thyago José de Andrade, era responsável por cooptar funcionários de instituições organizadoras de concursos em todo o país. A quadrilha também atuava em seleções para tribunais, bancos federais e universidades. Alguns beneficiados negociavam valores parcelados ou entregas de bens, como carros e viagens, para garantir aprovação.
A investigação avançou com a delação de Thyago e de sua namorada, Laís Giselly Nunes de Araújo, levando à identificação de outros envolvidos, incluindo o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, e a esposa dele, Aially Xavier, que tentou usar ponto eletrônico em prova para delegado. Um investigador e vereador de Arapiraca, Ramon Isidoro Alves, também é citado no esquema.
Mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos na última semana em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Dois professores suspeitos de resolver provas para candidatos foram detidos. Outra investigada, Larissa Saraiva Alencar, que ficou em primeiro lugar no concurso de auditor fiscal do trabalho, teria tido a aprovação financiada por seu marido, delegado em Pernambuco, e continua trabalhando normalmente.
Em Patos, as ações começaram ainda com a Polícia Civil, que em 17 de julho de 2025, por meio da Delegacia de Roubos e Furtos, deflagrou a Operação Before. Na ocasião, o filho de Wanderlan Limeira, estudante de medicina, foi preso por envolvimento no esquema, e sua namorada, de 27 anos, também foi detida. Ela já havia sido presa em 2023 durante a aplicação da prova para o Curso de Formação de Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, realizada em Patos.
Os investigados podem responder por crimes como fraude em concurso público, organização criminosa e concussão. A PF continua apurando o envolvimento de todos os participantes e reforça a importância do combate a esse tipo de crime.
Por Pabhlo Notícias