Novos desdobramentos da Operação Viga Mestra, deflagrada nesta quinta-feira (7), revelam a magnitude do esquema de corrupção que drenava recursos públicos no Sertão da Paraíba. Além dos 11 mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o sequestro imediato de R$ 6,5 milhões em bens e valores dos investigados, visando garantir a recuperação de parte dos R$ 33 milhões desviados.
Em Patos, as equipes da Polícia Federal cumpriram mandados em endereços estratégicos, ligando empresas da cidade ao suposto esquema de fraudes em licitações nos municípios de Cacimbas e Desterro.
A investigação ganhou novos contornos com a confirmação de que o ex-prefeito de Desterro foi um dos alvos centrais das buscas. A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) apuram se ele facilitava o direcionamento de contratos para empresas do setor de construção civil em troca de vantagens ilícitas.
O esquema, segundo a força-tarefa, não se limitava apenas a fraudar licitações, mas envolvia uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro. Para ocultar o rastro do dinheiro público, os investigados utilizavam:
O detalhamento das contas aponta que o prejuízo atinge diretamente os serviços básicos da população. Parte significativa do dinheiro desviado era oriunda de verbas federais destinadas ao SUS e ao Fundeb.
"As empresas investigadas receberam mais de 33 milhões de reais. É um volume de recursos incompatível com a capacidade econômica declarada pelos envolvidos, o que acendeu o alerta das autoridades", aponta o relatório da investigação.
O material apreendido em Patos, João Pessoa e Desterro, que inclui documentos, mídias digitais e aparelhos celulares, será levado para perícia técnica. O objetivo é identificar se há outros agentes políticos ou empresários da região envolvidos na "viga mestra" do grupo criminoso.
Por Pabhlo Rhuan