A cidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, foi o centro das atenções do programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (10). A reportagem detalhou como o município se tornou refém de um "colapso institucional", sendo comandado à distância por uma facção criminosa instalada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a mais de 2 mil quilômetros de distância.
As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público da Paraíba (MPPB) revelam que o Comando Vermelho infiltrou-se em pontos estratégicos da administração pública, transformando a prefeitura em um braço logístico e financeiro para o crime.
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Um dos pontos mais alarmantes da reportagem foi a descoberta de um sistema de monitoramento clandestino. Criminosos instalaram dezenas de câmeras, apelidadas de "besouros", em postes, árvores e casas. Disfarçados com fita isolante em meio aos fios de alta tensão, esses equipamentos permitem que chefes do tráfico no Rio de Janeiro monitorem a rotina dos moradores e a movimentação da polícia em tempo real.
"A cidade vive um colapso institucional. A sociedade fica refém e passa a ser comandada por esse poder paralelo", afirmou o procurador-geral de Justiça do MPPB, Leonardo Quintans.
O nome central das investigações é Flávio de Lima Monteiro, o "Fatoka", de 43 anos. Foragido no Complexo do Alemão, ele dita ordens que afetam desde a coleta de lixo até a escolha de líderes comunitários em Cabedelo. Em áudios obtidos pela polícia, Fatoka afirma: "Lá nas áreas, só cai uma folha se eu disser que sim".
Contra ele pesam 13 mandados de prisão. Fatoka chegou a usar tornozeleira eletrônica em 2022, mas rompeu o dispositivo no mesmo dia para fugir para o Rio de Janeiro.
O esquema criminoso não se limita às ruas. Segundo o Ministério Público, a facção utilizava a empresa Lemon Terceirização para infiltrar parentes e "funcionários fantasmas" na folha de pagamento do município. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 270 milhões.
Em troca da manutenção do esquema e de cargos públicos, a facção garantia a "segurança" de gestores em áreas conflagradas e impedia a entrada de opositores políticos em determinadas comunidades.
A reportagem relembrou que os últimos quatro prefeitos de Cabedelo foram alvo de investigações ou afastamentos:
Em nota ao Fantástico, as defesas de Vitor Hugo, André Coutinho e Edvaldo Neto negaram qualquer envolvimento com o crime organizado e reafirmaram sua inocência. A empresa Lemon informou que colabora com as investigações e exige certidões negativas de seus funcionários.
Enquanto o crime avançava sobre os gabinetes, o reflexo nas ruas é de abandono: falta de asfalto, postos de saúde sucateados e uma população que vive sob a lei do silêncio e o medo constante.
Fonte: Fantástico