
O recém-eleito prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo na manhã desta terça-feira (14), apenas dois dias após vencer a eleição suplementar no município. O afastamento ocorre no âmbito da "Operação Cítrico", deflagrada hoje pela Polícia Federal, GAECO e CGU, que investiga um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos estimado em R$ 270 milhões. Além de Edvaldo Neto, outros servidores públicos foram alvo de medidas cautelares e 21 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos.
Edvaldo Neto havia vencido o pleito no último domingo (12), desbancando o deputado Walber Virgolino (PL), para um mandato que seguiria até 2028 ao lado do vice Evilásio Cavalcante (Avante). No entanto, a investigação da PF aponta que a alta cúpula política do município mantinha um "consórcio" com empresários e membros da facção criminosa "Tropa do Amigão" (braço do Comando Vermelho) para infiltrar faccionados na estrutura da prefeitura e lavar dinheiro público.
Segundo as autoridades, o esquema utilizava contratos de empresas fornecedoras de mão de obra para garantir a manutenção de poder territorial e influência da facção em Cabedelo. Os recursos desviados serviriam como financiamento para o crime organizado. A decisão judicial de afastar o prefeito eleito busca preservar a colheita de provas e interromper a continuidade das supostas irregularidades na gestão municipal.
A Operação Cítrico apura crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de verbas, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa. A Polícia Federal e o Ministério Público da Paraíba seguem em diligências na cidade para aprofundar a investigação, que coloca o cenário político de Cabedelo sob intensa instabilidade logo após o processo eleitoral.
NOTA OFICIAL – EDVALDO NETO
A defesa do Prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, vem a público esclarecer que recebe com serenidade a decisão que determinou seu afastamento cautelar, medida de natureza provisória que não implica qualquer juízo definitivo de culpa.
Reafirma-se a absoluta tranquilidade quanto à apuração dos fatos, certo de que, no curso regular do processo e sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas.
O Prefeito jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública.
Cumpre destacar, inclusive, que na data de ontem (13), foi encaminhado ao Poder Legislativo Municipal projeto de lei de caráter “antifacção”, que visa proibir a contratação, pela Administração Pública, de pessoas que respondam a processos ou inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa, iniciativa que reforça, de modo inequívoco, o seu compromisso com a legalidade, a probidade administrativa e o enfrentamento firme à criminalidade.
A defesa confia plenamente nas instituições e no restabelecimento da verdade, convicta de que a inocência do gestor será reconhecida ao final.
Por Pabhlo Notícias com PF
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